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EUA terá que enfrentar seca para semear e colher safra elevada de soja e milho

sexta, 10 de fevereiro de 2012 às 18:29

Nova York (Rural Business) – Os Estados Unidos começam a se preparar para semear a nova safra 2012/13 de grãos tendo pela frente um enorme problema a ser resolvido: a seca.

Os mapas revelam que o sul do país continua convivendo com umidade de solo extremamente baixa, com seca que oscila entre os graus moderados a excepcional, último de uma escala de zero a 4, destaca a equipe de grãos da Rural Business. O mais preocupante é que as áreas de produção mais ao norte também já começam a ser afetadas, com princípio de seca já sendo observados em estados como Minnesota, Dakota do Norte, Wisconsin e parte de Iowa, maior estado produtor do país.

O que mais chama a atenção é que a situação já se revela mais grave do que um ano atrás, mostrando que as chuvas terão que voltar em boa intensidade nos próximos meses para evitar uma nova frustração de safra, o que colocaria os preços das commodities agrícolas em novo ciclo de fortes altas no mercado internacional, balizado pela Bolsa de Chicago (CBOT).

Em 2011, a intensa estiagem levou 21 dos 31 estados produtores de soja a registrarem perdas em sua produção frente ao ano anterior, deixando de colher 8,48 milhões de toneladas da oleaginosa, o que acabou derrubando a safra local de 90,61 para 83,17 milhões de toneladas.

No milho, o expressivo aumento de 4,2% na área de semeadura ajudou a limitar as perdas, mas ainda assim a produção americana foi frustrante, com 16 estados deixando de colher mais de 15 milhões de toneladas do grão, deixando a safra em 313,92 milhões de toneladas, também abaixo da temporada anterior.

Neste momento, 57% do território americano já registra algum stress hídrico, o que pode ser considerado um grau zero de seca numa escala que vai até 4 (D0/D4), contra 47,8% um ano atrás. Há ainda 37,9% com seca moderada (D1/D4), 18% com seca severa (D2/D4) 9,2% com seca extrema (D3/D4), contra 7,7% em 2011, e 3,14% em seca excepcional (D4/D4), resultado que um ano atrás era de 2,63%.

Agrava a situação as baixíssimas reservas do país para dar suporte a sua demanda interna e externa, que para o milho atingem os menores níveis em 16 anos, deixando claro que não há a menor possibilidade do país quebrar a produção da nova temporada 2012/13, destaca Tânia Tozzi, analista chefe da equipe de grãos e estrategista da Rural Business.

Já se fala em aumento de pelo menos 2,6% na semeadura de milho este ano, elevando para 38,12 milhões de hectares a área destinada a cultura, o que se confirmado será o maior plantio já visto em solo americano desde a segunda Guerra Mundial.

“O aumento é significativo, em vista da alta produtividade das lavouras americanas. Mas é o clima que ditará o rumo dos negócios nos próximos meses, já que uma perda maior de área de colheita ou uma produtividade nos níveis do ano passado manterá os Estados Unidos num extremo arrocho de abastecimento, dando gás aos preços do grão em todo o mundo”.

Para a soja a expectativa é de um aumento bastante contido, elevando de 30,34 milhões para algo próximo a 30,47 milhões de hectares a área de plantio, “o que pode vir a ser um grave problema para o país e o passaporte para mais um ano de altos preços para os produtores brasileiros”, alerta Tozzi.

A analista ressalta que o USDA (Depto. Agr. EUA) vem mascarando os dados de exportação dos Estados Unidos, ampliando de forma “descabida” a estimativa de vendas para o Brasil, a fim de manter em 7,49 milhões a indicação de estoques finais para o país. “Tudo indica que os estoques americanos de soja estão super dimensionados, devendo atingir no máximo 3 milhões de toneladas ao final da temporada 2011/12, em agosto próximo, dando suporte a menos de 30 dias de consumo. Se isso se confirmar, o mundo correrá sério risco de ficar sem produto para se abastecer no próximo ano, já que o Brasil também enfrentará um dos maiores arrochos de abastecimento de toda a história na virada de 2012, forçando os americanos a terem um clima extremamente favorável para colher alta produtividade, pois do contrário os preços voltam a disparar”.

Para Tozzi, “se não acontecer uma reversão rápida e completa do clima nos Estados Unidos, os produtores deste lado do mundo já podem começar a comemorar!”

Fonte: Rural Business

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